O desmatamento pode ser descaso de governos passados, deixando passar por cima da lei colocando a humanidade em jogo. No Brasil nem com o desmatamento nas margens dos rios existiu preocupação maior, mesmo havendo consciência de que vamos ficar sem água no futuro. A mata atlântica, parte do sul da Bahia, teve a proteção da lavoura cacaueira. Quando vejo cidades e grandes obras fico a pensar, se não houver o cuidado necessário, tudo será destruído com o aquecimento do planeta.
Há quarenta anos adquiri a Fazenda Passagem, Distrito de Jaguara - Feira de Santana, trezentos hectares. Construí a sede entre uma serra e o Rio Jacuípe, fiz um desmatamento no centro da serra deixando a mata em volta, a serra e o rio faziam a beleza da fazenda. Sr Nequinha Barbosa, ao ver o fogo na serra, disse-me: “José! Teria lhe dado um pedaço da minha fazenda para não desmatar a serra”. O desconhecimento levou - me a cometer o erro.Adquiri mil hectares vizinhos à Fazenda Passagem, desmatados, mas encapoeirados. Mantive trezentos hectares para recuperar a caatinga e o restante não admiti derrubar as árvores predominantes da espécie jurema. Essa fazenda já não é mais de nossa propriedade. Gravei o que o senhor Nequinha me disse e não cometi mais erros contra o meio ambiente.
Na Fazenda Oceania, divisão do cacau, Itagibá-Ipiaú, demiti o gerente porque teimou em derrubar árvores para consertar cercas. Na Fazenda São Mamede, Contendas do Sincorá, dos seis mil hectares conservo dois mil hectares de mata.
No São Francisco, município de Barra - Fazenda Califórnia, oito mil hectares, na abertura de cada pasto, deixamos a mesma quantidade de mata, ficou igual a um tabuleiro de xadrez. Não houve prejuízo, quando chove o gado é conduzido à mata para recuperação das pastagens.
Defendo a Hora da Educação, muitos erros nesse país acontecem por falta de conhecimento e informação. Há pessoas que não se importam com a geração futura, esquecem dos filhos e netos. Acordo pensando, como existem empresários selvagens, se a vida não fosse tão curta e urna mortuária tivesse gaveta, ou se no outro mundo, onde vamos viver a eternidade tivesse bancos como no paraíso fiscal, o aquecimento do planeta teria acontecido no século passado.
A cada dia admiro mais o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Ministra Marina da Silva com conhecimento, estudiosa, por circunstâncias que não conheço, voltou para o Senado. Foi nomeado o Ministro Carlos Minc, com a mesma sensibilidade, determinação, coragem e consciência. Como a ministra, também alcançou reconhecimento internacional pelo seu trabalho, com apoio do Presidente Lula. Parabéns, Presidente, pelo último pronunciamento, “agora não é mais hora de gastar para desmatar e sim gastar para replantar.”
José Mendonça
Presidente do Poder Legislativo de Ipiaú









