
Ex-ministra é mais uma adepta do Twitter como ferramenta eleitoral
Quando o assunto é Twitter, não há como negar que o efeito Obama invadiu de vez a política nacional. Candidatos a todos os cargos nas próximas eleições utilizam a ferramenta, seja para reforçar a militância, testar a popularidade com seguidores, ficar mais próximos do eleitorado ou simplesmente para tentar conquistar mais votos.
Na opinião de especialistas consultados pelo
Dilma tenta adotar discurso mais próximo
Aos poucos, a pré-candidata petista, que quando entrou no Twitter admitiu não saber como usar a ferramenta e pediu ajuda aos seguidores, vai abandonando o discurso técnico para se aproximar mais dos seguidores.
Um exemplo desses tweets onde a candidata fala mais do seu dia a dia é o tweet onde ela cita o encontro no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com uma menina chamada Vitória, para quem afirmou que "mulher pode sim” ser presidente, pouco antes de embarcar para Nova York, em 20 de maio.
“Dilma tem se esforçado para interagir mais com o público”, diz Träsel. Mas para ele, a petista ainda precisa se soltar mais. “O problema é que as opiniões não parecem ser pessoais, o que faz com que tudo pareça construído por um marqueteiro”, diz.
No microblog ela tem reforçado o discurso de “mulher pode” e destacado pontos positivos do governo Lula. Nesse sentido, para os especialistas, ela acerta ao falar diretamente àquele que acredita ser um eleitorado em potencial. “O eleitor quer ter um vislumbre dos pensamentos do candidato e a certeza de que ele se importa com seus problemas”, diz Träsel.
Na opinião dos especialistas, a falta de diálogo e de variação de temas pode acabar afastando seguidores que poderiam se transformar em eleitores. “No geral, mais importante que obter eleitores é agregar valor à imagem do candidato. Em vez de falar que vai dar uma entrevista, seria melhor que cada candidato dissesse, por exemplo, o que pensa da previdência. Crie uma semana temática e movimente a cada semana seu assunto favorito”, sugere Tiago.
“O ideal é não ter medo de se posicionar, passar uma imagem de diálogo e tolerância”, comenta. “Fica difícil saber qual a imagem querem passar quando tuitam como uma agenda ou um disparador de releases“, finaliza.
Eleição tweet a tweet
Marcelo Coutinho, especialista em redes sociais da FGV-SP, acredita que o Twitter não será capaz de reverter a imagem que o eleitorado tem de um determinado candidato, e reforça que a ferramenta será um captador de votos.
“O efeito [do Twitter] em termos de conquista de votos deve ser pequeno, até porque quem tem acesso à rede é o eleitor classe ABC, com maior nível de informação. O grande valor deste tipo de iniciativa é organizar militantes e reforçar a argumentação de eleitores que já apresentam uma pré-disposição para votar no candidato. Serve para ‘energizar’ grupos que dificilmente fariam campanha na rua ou iriam a um evento de campanha, mas que aceitam divulgar mensagens da candidatura através de formatos eletrônicos”, diz ele.
Para Tiago Cordeiro, os pré-candidatos deveriam aproveitar o espaço para gerar mais debate. “O mais importante é entender que rede social não é outdoor. O Twitter pode fazer diferença à imagem, mas a longo prazo. Os políticos parecem achar que vão conquistar `votos, quando poderiam é pensar em formar novos eleitores. Isso é o maior bem que uma rede social e um político poderiam fazer pelo país”, finaliza.
UOL Eleições, o maior erro que os candidatos podem cometer no Twitter é usá-lo como outdoor, com a intenção de promover sua imagem. Para eles, a ferramenta é pessoal e por isso, os candidatos devem se distanciar do discurso técnico, baseado em números e dados, e apostar em algo mais informal, amigável e próximo do eleitorado. Essa seria a fórmula para os políticos que querem se dar bem no microblog.
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